24 fevereiro 2018



UMA PROPOSTA SEPARATISTA

Parece claro, notório e incontestável que a raiz da maioria dos problemas que assolam o Brasil, está no Sistema Político Brasileiro. Pois é através deste sistema que o povo elege os Deputados Constituintes, os Legisladores, os Senadores, o Presidente da República e, consequentemente, seus Ministros. E é por seus “instrumentos” que eles trabalham!

Este “Sistema” não foi pensado, elaborado ou construído por um, ou vários, pensadores políticos... Mas é uma evolução “natural” desde o seu início como Brasil Colônia até os dias atuais.

Com este pensamento, precisamos descartar de imediato as “reformas” tão reivindicadas pela população. O povo brasileiro que reformas porque  sonha com um Brasil europeu, nórdico, um Brasil-Suíça. Mas não se dá conta que o Sistema Político Brasileiro é consequência dele próprio, das suas atitudes, do seu modo de pensar, da sua cultura! A Política brasileira é a cara do povo brasileiro! E que o povo brasileiro não é europeu, que o Brasil não é nórdico e que um “Brasil-Suiça” é uma aberração. Esta é a máxima que precisa ser entendida e aceita definitivamente!

Bem, então segundo esta “teoria”, não há saída! Ou convivemos com isso, ou mudamos para a Europa ou a Ásia?

Digo que SIM, há uma saída. Uma boa alternativa para enfrentarmos de fato os problemas brasileiros... Mas precisa ser bem analisada, bem pensada, bem discutida, bem considerada, estudada, debatida, antes de formarmos um “veredictum” com respeito à sua aplicabilidade. Portanto, não nos precipitemos, analisemos com parcimônia, com pureza, com equilíbrio, antes de decidirmos apoio ou rechaço.

11.    O sistema político é consequência do “pensamento e atitudes do próprio povo brasileiro”, correto? É uma espécie de “pensamento comum e generalizado” do povo, assim como, consequentemente, seus atos e reações. Podemos traduzir isto numa palavra: “Cultura”. Esta é a cultura popular brasileira.

22.    Mas qual é a “cultura brasileira”? Ou, melhor, o Brasil tem “uma única” cultura? O Brasil, todo mundo sabe, é um país (território) de “VÁRIAS MATIZES CULTURAIS”. Vamos nos abster de considerar se isso é bom ou ruim, isto é um fato! Ponto!

33.    Precisamos viajar para fora do país para observarmos melhor qual a cultura que transmitimos ao mundo! E aí, a partir deste ponto de vista, está claramente entendido e transparente: O Brasil é representado pela Cultura Carioca, seguido da Baiana. Estes mesmos aspectos culturais são exportados e impostos a todas as demais regiões, e são por elas absorvidos em grande parte. Isto significa que, se deixarmos as coisas como estão, no caminho que vem trilhando, em algumas décadas SEREMOS TODOS cariocas-baianos, e deixaremos de ser um país multicultural.

44.    Por que as culturas carioca e baiana são preponderantes? Porque foi primeiro na Bahia, e depois no Rio de Janeiro, que se estabeleceram “A Coroa” e a Côrte Portuguesa. Dela e seu notório “Sistema Imperialista” adveio este modo “brasileiro” de ser, e numa linha direta, descambou no atual sistema político.

55.    Aí está, pois, a alternativa natural que buscamos:
a.    Se o Brasil AINDA É uma “colcha de retalhos” culturais, apesar do processo de “abrasileiramento”, e...
b.    Se a cultura brasileira produz, por sua natureza, este sistema político,
c.    Justo seria buscarmos estancar este processo! Não é? É quase uma questão de sobrevivência!
d.    Precisamos “blindar” nossas culturas regionais, não permitir que influenciem nosso modo de viver, nossas ações e reações às vicissitudes da vida.
e.    Precisamos UMA AUTONOMIA! Talvez uma Autonomía ABSOLUTA.
f.      Uma autonomia total que abarque todos os aspectos que regram nossas vidas! Com o objetivo de “fortalecer” nossos laços culturais, que nos são intrínsecos e naturais.

66.    Assim nosso caminho fica mais claro:
a.    Valorizar a cultura regional: A tradicional e a contemporânea;
b.    Autonomia de Estado: Nova Constituição, novas leis, novas regras políticas e administrativas.
c.    Autonomia Econômica: Os impostos não são enviados a outro país, mas são aplicados no próprio país de origem.

77.    Cada cultura regional (O Brasil é um país “multicultural”, lembram?), deverá obter com aval popular, sua própria autonomia, e constituir seu próprio Estado, independente entre os demais do Brasil, e entre os demais do mundo.

88.    Após esta primeira etapa do processo, podem os Estados estabelecidos organizarem uma reunião com o fim de constituir uma “Federação” ou “Confederação” (Segundo o sentido clássico de cada palavra!). O importante é que cada novo Estado tenha AUTONOMIA para decidir se deseja, ou não, participar deste novo ordenamento.

- Pergunta: É uma solução viável?
- Resposta: Bem, se o povo assim o decidir, será viável! Muitos países no mundo se tornaram autônomos devido à vontade de seu povo... Praticamente TODOS os países democráticos tem sua origem na vontade popular!

- Pergunta: É legal?
- Resposta: Segundo os países de onde se originaram os novos autônomos, não! Nenhuma Constituição no mundo tem uma cláusula prevendo que seus Estados possam se tornar autônomos. Isso é natura! Mas segundo as Leis Internacionais, SIM é perfeitamente legal. E o próprio Brasil assinou um acordo na ONU sobre OS DIREITOS DOS POVOS, considerando esta possibilidade. (nunca imaginou um seu Estado, ou vários dos seus Estados, pudessem reivindicar este Direito Internacional).

- Pergunta: Quais as consequências imediatas?
- Resposta: Basicamente cada novo Estado deverá ser conduzido por um “Estado de Exceção”, enquanto organizam uma ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE com participação ou representação popular. Difícil será se desfazer dos vícios políticos e econômicos antigos, mas neste momento é que se percebe se o povo tem “virtude” ou não. Precisam resistir às forças políticas e econômicas que se locupletam com o sistema atual, e que abominam as mudanças que poderão arruiná-las. O povo de cada novo país precisa rechaça-las! Vencendo esta “guerra” e articulando relações internacionais sólidas, o novo país tem tudo para normalizar e progredir.
   Obs.: É preciso deixar claro. O termo “novo estado” não significa que cada Estado brasileiro deva necessariamente se tornar um país independente. Mas sim, “cada cultura regional”, como dito acima no nro. 7.

- Pergunta: O Brasil permitirá?
- Resposta: O povo brasileiro, sim. Porém, os poderes constituídos com sede em Brasília e com “ramificações” no controle dos Estados, não! Nesta “queda de braço” ficamos dependentes do apoio das Forças Armadas, e do apoio explícito das demais Nações do mundo. O trabalho interno deverá ser conjunto e bem coordenado para minimizar os atos violentos. Externamente deverá se considerar o “jogo de interesses” político internacional.

    Conclusão:
Dissemos que é um “caminho”... Ninguém afirmou que seria fácil, ou totalmente seguro! É uma saída. É isso, ou aceitar a situação do jeito que está, gritando ferozmente nas ruas, mas sem ouvidos que os ouçam na “Corte de Brasília”, até que o processo de abrasileiramento, e consequente escravatura, finalmente vença!

31 maio 2016

O QUE O POVO GAÚCHO DE LA PÁTRIA GRANDE DESCONHECE SOBRE O BRASIL

Em recente estadia na cidade de Buenos Aires, tive oportunidade de responder muitas perguntas acerca do momento que estamos vivendo no Brasil, além de ouvir muitas opiniões de uruguaios e argentinos segundo suas próprias interpretações.
A partir daí passei a ter grande preocupação, porque os considero como irmãos, pela forma tão distorcida como estão recebendo informações truncadas e claramente filtradas pelas mídias, e assim formando opiniões um tanto fora da realidade do que de fato aqui estamos vivendo.
Não pretendo dar uma palavra definitiva, longe disso. Há, mesmo aqui no Brasil, interpretações diversas sobre os mesmos fatos políticos. Mas preciso elaborar melhor os conceitos destes fatos, a fim de que tenham vocês meus irmãos argentinos e uruguaios um entendimento mais completo do que chamo "o outro lado da moeda".
Fica claro, porém, que esta é a forma como vejo toda a situação, e que pode sim ser interpretada de outra forma se os convém. Leiam e tirem suas próprias conclusões.

IDEOLOGIA POLÍTICA
Durante a Ditadura Militar que durou 21 anos (1964 a 1985), foi permitido apenas dois partidos, ARENA e PMDB, situação e oposição. Hoje, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o Brasil conta com 35 partidos, segundo suas posições ideológicas.
Posso lhes afirmar categoricamente: Não importa! São posições ideológicas "de fachada". Há apenas DUAS posições claras e incontestáveis, de ESQUERDA e de DIREITA. As demais fecham com uma ou com outra segundo suas ofertas e vantagens. Sua diversidade serve apenas para atrair incautos (que aqui são muitos!).
Portanto, ou são CAPITALISTAS ou COMUNISTAS.
A interminável briga pelo poder tem este grande objetivo final: Implementar e perpetuar seu sistema ideológico!
Agora vejamos: O Capitalismo parte de uma oligarquia produtiva e empresarial, inclusive externa, que gera empregos e sub-empregos e todas as consequências deles advindos, mas que se locupleta com o poder. As possibilidades de o Brasil ser um país altamente capitalista enche seus olhos: Uma massa popular enorme, de mais de 250 milhões de pessoas consumindo o que o capitalismo produz, não é pouca coisa! É um enorme mercado consumista! Mas o capitalismo selvagem só faz aumentar cada vez mais o abismo econômico entre as classes sociais, e no Brasil as desigualdades vêm aumentando, e muito. O governo do PT que seguiu o modelo capitalista de Fernando Henrique Cardoso com mais força e vigor, soube mascarar muito bem, com números falsos, a verdadeira e péssima situação econômica do Brasil para os outros países do mundo... Mas não consegue enganar uma grande parcela da população brasileira que está atenta à estas questões.
Já o Comunismo, conforme o conhecemos aqui no Brasil, é muito mais perverso do que isto:
1. Pretendem os partidos de esquerda, especialmente o PT, aplicar a Lei de Robin Wood, tirar da CLASSE MÉDIA para distribuir aos pobres. Vejam, NÃO DA CLASSE RICA E ABASTADA! Mas da classe média que realmente promove o crescimento do país. Isto acaba por nivelar todo o povo POR BAIXO.
2. A "Classe Dirigente" se arroga todos os poderes, incha, e se torna rapidamente abastada (É uma verdadeira CÔRTE MEDIEVAL!). A distância entre a classe dirigente e o povo é mais que abismal, é "inter-continental". Com o poder econômico nas mãos, mantém o resto do país (seus súditos escravizados) reféns!
3. A Classe média, e só a classe média, paga cerca de metade do que produz num ano, em impostos que são absorvidos por Brasília, e não retornam em bens e serviços, mesmos os essenciais. Que tal uma média de 50% do PIB brasileiro só de impostos? Vocês fazem alguma idéia?
4. Além de se locupletar regiamente, os dirigentes do país enviam bilhões e bilhões de dólares para suas contas em paraízos fiscais e para países "amigos", seja realizando grandes obras neste países, ou perdoando suas dívidas para com o Brasil. É absurdo total os bilhões que são gastos na "política externa", que fazem tanta falta aqui para o nosso dia-a-dia, para nossas escolas, nossos postos de saúde, infra-estrutura para locomoção do povo e dos produtos. A justificativa (que não justifica) é conquistar uma cadeira vitalícia no Conselho da ONU!... Às custas do sacrifício do povo?
5. O PT não inventou a corrupção. Sempre existiu no país. Porém em sua administração a corrupção cresceu exponencialmente, explodiu à olhos vistos, em tal proporção que acabou por chamar a atenção do próprio povo que estava sendo roubado, e por isso agora está aparecendo muito mais.
6. O pior: utiliza como forte meio de apologia comunista AS ESCOLAS, JOVENS PROFESSORES E LIVROS ESCOLARES PREVIAMENTE APROVADOS, mesmo os de níveis básicos, o que se configura um condenável golpe baixo!

O IMPERALISMO BRASILEIRO
Ao final, ambos os sistemas tendem ao Imperialismo. O Brasil como um todo tem uma tradição IMPERIALISTA. Mesmo depois de proclamada a República Federativa do Brasil (no início era Estados Unidos do Brasil), o imperialismo tão arraigado no povo e na classe política ADAPTOU-SE, cambiou seus métodos, mas na sua base de ação, DE FATO, CONTINUOU SENDO IMPERIALISTA. Analisando friamente ainda vemos todos os ingredientes indispensáveis a um legítimo imperialismo presentes no sistema político-partidário brasileiro. Sim, o próprio povo, no seu dia-a-dia, mesmo em sua classe social mais baixa, ainda PENSA O BRASIL COMO UM IMPÉRIO. é A PRÓPRIA CULTURA BRASILEIRA. Não no sistema monáquico (Um Rei com poder superior), mas o OLIGÁQUICO, onde TODO O PODER ESTÁ NAS MÃOS DE UNS POUCOS, sejam capitalistas ou comunistas.
Este SISTEMA PERVERSO promove lutas internas intermináveis pela conquista das POSIÇÕES ESTRATÉGICAS que detém o poder quase absoluto. O povo adota um Partido ou outro, como se fossem Clubes de futebol. Defendem-nos à morte. Torcem por eles, e tratam de conseguir adeptos ao "clube" que ama. Esta "torcida atuante" acaba por LEGITIMAR UM SISTEMA QUE DE DEMOCRÁTICO NÃO TEM NADA!
Ah sim, dizem que o sistema é "Representativo", portanto o que lá ocorre é um reflexo do que é o pensamento do próprio povo... Por um lado é verdade, a cultura brasileira nasceu do imperialismo. Não esqueçamos, porém, que o Brasil é culturalmente extratificado e que "Brasileira" é APENAS UMA DAS CULTURAS! O Brasil é, de fato, um AJUNTAMENTO DE CULTURAS DIVERSAS, em muitos pontos opostas umas às outras. A mais forte, consolidada e virtualmente diferente da cultura dominante no Brasil, é a CULTURA GAÚCHA.
Embora elejamos nossos representantes gaúchos para o Congresso e o Senado (através do voto obrigatório), eles só estarão aptos a receberem nossos votos SE PROVAREM PERTENCER E ESTAREM ADAPTADOS À CLASSE DE POLÍTICOS QUE O SISTEMA ADOTA... Há todo um processo de formação política que vai "encaixar" o postulante dentro do Sistema. O novato vai galgar postos e comprovar na prática que tem todas as "qualidades" necessárias para permanecer dentro do Sistema. Se não se adapta, está fora, não consegue expressão ou sequer consegue se candidatar a algum cargo. Isso, em qualquer instância do processo... É quase uma organização criminosa!
Por pertencerem a uma outra cultura, os gaúchos do Rio Grande, que em sua maioria pensam diferente do brasileiro, com uma outra cultura e outro modo de ver as coisas, se sentem excluídos do sistema. Mais que isso, em sua maioria ABOMINAM ESTE SISTEMA, desejam até implodí-lo!

A CULTURA GAÚCHA
Aqui no Rio Grande impera o pensamento REPUBLICANO e CONFEDERATIVO.
1. O gaúcho é por natureza CONSERVADOR e dificilmente muda de idéia, sendo firme em suas posições. Não gosta de meias palavras, nem de palavras enganadoras. É "Pau, pau. Ferro, ferro!".
2. O gaúcho preza pela família, pelas amizades sinceras, pelos bons costumes, pelo respeito às mulheres, pela educação, pela honestidade.
3. O gaúcho trabalha, e gosta de ver o resultado do seu trabalho. Abomina a exploração e o abuso a outras pessoas, e outras classes, mesmo aos animais.
4. O gaúcho é apegado às suas raízes, ama e se orgulha de seu país, seu povo, seu território, seus símbolos pátrios, sua bela cultura.
DEFINITIVAMENTE, O GAÚCHO NÃO É BRASILEIRO!

A HISTÓRIA
Analisando DO PONTO DE VISTA DO GAÚCHO RIO-GRANDENSE E SUA CULTURA, não podemos pensar no início de nossa história a partir da instalação dos primeiros povoados portugueses na região, como insistem em nos ensinar os livros de história no Brasil. Porque O GAÚCHO NÃO PROVÉM DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA! Isso é óbvio demais!
Considerando a região do Pampa, onde nasceu o tipo humano GAÚCHO, temos os ÍNDIOS NATIVOS (principalmente Charruas e Guaranís) como uma das raízes mais importantes nesta construção. A chegada dos primeiros espanhóis (Caboto, García de Moguer, principalmente Pedro de Mendoza) na primeira metade do século XVI, trouxe o outro elemento básico, O HISPÂNICO. O contato destes dois elementos gerou O MESTIÇO que conhecemos por "GAÚCHO". Estamos em 1550, mais ou menos. As primeiras investidas portuguesas, esgueirando-se pelo litoral norte a partir de Laguna-SC, datam de 1680, quando Manuel Lobo funda Colônia de Sacramento. Como podemos observar não há, num primeiro momento, influência colonial dos portugueses, uma vez que eram inimigos dos espanhóis e dos índios guaranis que defendiam aquelas terras. Nem mesmo as fundações do Forte "Jesus, Maria, José" (1737), do Forte "Jesus, Maria, José do Rio Pardo" (1752) ou mesmo a fundação de Viamão (1747) promoveu alguma influência portuguesa, pois não há contato com a cultura gaúcha que se consolida no Pampa, longe destes. Só em 1811, quando se estabelecem no Passo de Aceguá (Forte Santa Tecla) um grupo de soldados portugueses sob o comando de Dom Diogo de Souza, dando origem à cidade de Bagé, podemos considerar que começa efetivamente um tímido contato entre portugueses e gaúchos, ainda que inimigos dos espanhóis. Só a partir daí podemos considerar alguma influência portuguesa na formação da nossa cultura Gaúcha, cerca de TREZENTOS ANOS depois de sua gênese!
De fato a influência se deu de forma INVERSA à esperada. Foram OS PORTUGUESES QUE SE ADAPTARAM AO MODO DE VIDA DOS GAÚCHOS, tornando-se paisanos. Os "colonos" vindos do arquipélago dos Açores, tinham cultura PESQUEIRA, não sabiam nada de criação de gado, esquinos, ovinos... Só criavam galinhas e cabras, e sua agricultura era doméstica, para consumo próprio. Mantinham sua cultura européia apenas no interior de suas casas, sedes das estâncias, um arremêdo do modo de vida europeu... Os costumes gaúchos, perfeitamentes adaptados ao meio ambiente, às vastidões do Pampa, às lides campeiras, imperavam, agregavam valores, cresciam e avançavam pelas pequenas vilas, incapazes de reproduzir a vida européia nesta região absolutamente distinta da Europa.
A história que nos contam os livros dos HISTORIADORES OFICIAIS, que divulgam nas escolas, baseia-se na Côrte Imperial, centralizada no Rio de Janeiro, com fortes elementos bahianos. Conta a história dos negros escravos, dos senhores de engenho, dos coronéis nordestinos, da monocultura da cana-de-açucar e depois do café... O Rio Grande, segundo esta visão histórica, exerce um papel secundário guardando as fronteiras e fornecendo o charque para alimento dos escravos do resto do Brasil... Vejam quanta diferença entre uma história e outra... Temos de rever imediatamente este conceito, pois é isso que ensinam às nossas crianças gaúchas na escola o tempo todo, numa grande LAVAGEM CEREBRAL oficializada!

FINAL
Bom, meus amigos. Há muito ainda o que relatar à respeito do que de fato acontece aqui no Brasil. Não há espaço nem tempo para tudo. O que aqui foi relatado é apenas uma grande síntese, bastante superficial, destes temas que bem deveriam ser mais aprofundados e comprovados cientificamente, mas que no momento não nos é possível. Espero, pelo menos, ter chamado a atenção dos meus caros amigos argentinos e uruguaios para toda uma problemática brasileira gigantesca que infelizmente não é observada nem entendida pelos próprios brasileiros em sua maioria, e muito menos por quem só recebe informações filtradas pelas mídias. Mas que deveria. Espero que este pequeno texto sirva de um início de conscientização pública para nós mesmos, os gaúchos do Rio Grande, e para os demais "gauchos de la Pátria Grande".
Grande abraço.
Romualdo Negreiros

03 agosto 2015

ATITUDE, RIO GRANDE !

Lamentável quando precisamos levar um "choque" de realidade para despertar de uma letargia induzida.

Poderíamos evitar chegar neste momento delicado da economia, política e administrativa no Rio Grande, se tivéssemos ouvido "a voz que clama por LIBERDADE" em nossa alma essencialmente gaúcha!

Comparemos nossa situação atual com a de um século passado.

O Rio Grande, no início do Século XX, criou uma Rede Ferroviária Rio-Grandense, ligando os principais pontos do Estado com suas férteis linhas de ferro.

Criou um grande Banco da Província, fomentadora do nosso progresso, partindo da produção primária, industrializando-a...

Era puro desenvolvimento e entusiasmo em alcançar rápidamente níveis educacionais, técnicos e infra-estrutura de primeiro mundo.

O Rio Grande era competitivo, tinha grandes empresas, importadoras e exportadoras, grandes casas comerciais, avanços fabulosos nas áreas da saúde, da segurança, da ciência...

Então acordamos desta viagem linda ao passado, e abrimos nossos olhos para o infeliz Rio Grande de hoje, imerso em uma crise financeira e institucional sem precedentes! Sem dinheiro, sem orgulho, sem perspectiva!

A diferença que encontramos é que, mesmo atrelado à União Brasileira, o Rio Grande mantinha uma boa parcela de autonomia política, administrativa e financeira. Enquanto que hoje o que observamos é que não há qualquer resquício de autonomia. Os "Partidos" são nacionais, as decisões são centralizadas em Brasília. As Leis, únicas para povos tão díspares, tão desiguais, tão variados, são cada vez mais abrangentes e específicas!

Economicamente, ao Estado não resta nada que governar. Só temos dívidas. E tantas dívidas que precisamos decidir qual pagar e qual "calotear".

Antes, alguma autonomia. Hoje, mãos e pés amarrados!
Isso não lhes diz algo? Precisa desenhar?

Ah, para alguns não é o suficiente: Querem números!

Pois vamos aos números oficiais publicados pelo IBGE.

Em 2012, foram R$ 32,3 bilhões e retornaram R$ 4,8 bilhões, déficit de R$ 27,5 bi.
Já em 2010 foi R$ 27 bi e o retorno R$ 10,4 bi, déficit de R$ 16,6 bi.
Antes ainda, em 2009, tivemos um déficit de R$ 12,7 bilhões de reais.
Os dados são do IBGE, fornecidos pelo próprio Governo Federal!

A lógica da "Federação" (Entre aspas mesmo, pois trata-se de uma FALSA Federação) é a seguinte: Boa parte do que o Estado produz vai para a União. A União junta todas as arrecadações estaduais num grande "bolo de dinheiro". E então a União DECIDE, por seu arbítrio, como distribuir estes valores... Políticamente, é claro! Manter-se no poder é preciso!

Como podemos observar o déficit do Rio Grande aumenta conforme passam-se os anos, diminuindo na mesma proporção o poder de investimento próprio em nosso Estado.

Óbvio que, seguindo neste processo, chegaria um momento em que zeraria o poder de investimento e aumentariam proporcionalmente as necessidades, restando apenas dívidas!

Situação semelhante só encontramos nos Impérios Absolutistas da Idade Média, onde os Cobradores de Impostos em nome do Rei espremiam e torturavam os pobres agricultores até tirar-lhes o próprio pão da boca e a dignidade.

Portanto, bastava olhar para o histórico recente para entender o sistema falido aqui empregado. Os dados estão aí, claros e insofismáveis, para quem quiser ver. Só mesmo muito distraídos e desinteressados para não perceber antecipadamente o que está acontecendo neste momento!

Os culpados por esta situação?
Somos nós mesmos, que deixamos chegar neste ponto SEM TOMAR UMA ATITUDE!

E qual atitude?
Ora, ouvir nosso coração gaúcho! Ele CLAMA POR LIBERDADE!
Livres, com nossa cultura, com nossa disposição para o trabalho e o empreendimento, com nosso sincero desejo de lutar para sobrepujar as dificuldades, sem "atalhos", sem jeitinhos brasileiros, sem subterfúgios, sem máscaras e aparências, sem carnaval, se oba-oba, o Rio Grande saberá levantar-se, superando as dificuldades, e ultrapassando proporcionalmente os níveis do século passado em qualidade de vida e desenvolvimento.

Precisamos, neste momento, de ATITUDE, de AÇÃO, de CAPACIDADE DE INDIGNAÇÃO!
Conclamo nossos compatriotas a honrar nossos antepassados Farrapos, que tomaram sim uma forte atitude contra o Império Brasileiro que os oprimia!
Impondo-lhes respeito, consideração e atenção aos nossos problemas.

Sejamos, pois, neste momento crucial, GAÚCHOS de fato!...

RIO GRANDE LIVRE, JÁ!

06 julho 2015

16 março 2015

REFLEXÕES IMPORTANTES

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Recebi, em mensagem de uma amiga, um texto antigo (2005) de João Ubaldo Ribeiro, publicado originalmente no Jornal do Meio Ambiente.
http://www.jornaldomeioambiente.com.br/index_noticias.asp?id=8636 

Sua mensagem, apesar de se passarem 10 anos, continua absolutamente atual, e me dá oportunidade de lincar com um trabalho que venho desenvolvendo sobre, entre outras coisas, as questões científico-sociais da constituição de um povo feliz.

Logo abaixo o interessante texto de Ubaldo, e sobre o que foi dito, algumas reflexões que levam à sua ampliação.



"PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONSTRUIR UM PAÍS" - Data: 14/11/2005 
por, João Ubaldo Ribeiro - 

“A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve.  E o que vier depois de Lula também não servirá para nada.

Por isso estou começando a suspeitar que o problema  não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.  O problema está em nós. Nós como POVO.  Nós como matéria prima de um país. 

Porque pertenço a um país onde a “ESPERTEZA" é a moeda  que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. 
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. 

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal... E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO. 

Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos. 

Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. 

Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. 
Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. 

Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. 

Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. 

Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. 

Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns. 

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. 

Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. 

Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. 

Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. 

Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. 

Não! Não! Não! Já basta!!. 

Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. 

Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS. 

Nascidos aqui, não em outra parte... 

Me entristeço. 

Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. 

E não poderá fazer nada... 

Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. 

Qual é a alternativa? 

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? 

Aqui faz falta outra coisa. 

E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!! 

É muito gostoso ser brasileiro. 

Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... 

Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias. 

Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. 

Está muito claro... Somos nós os que temos que mudar. 
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. 

É a indústria da desculpa e da estupidez. 

Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. 

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO. 

E você, o que pensa?.. MEDITE!”  -.João Ubaldo Ribeiro.-


Excelente texto que nos deixa a todos com ar de “mea culpa”, e muitos de nós, decididos a mudar.


Para entendermos o “por que” de o povo brasileiro ser assim, e não de outro jeito, precisamos olhar com mais atenção para o aspecto cultural.

Dificilmente nos damos conta de “como somos”. Agimos assim, porque este é o nosso jeito de agir... É a nossa cultura! Somos levados pelo nosso meio-ambiente físico e social, a pensar que o “mundo” é assim! E levamos um verdadeiro choque de identidade quando algo ou alguém nos mostra uma outra realidade, quando nos confrontamos com outro povo, por exemplo, com características diversas das que estamos acostumados, e naturalmente exclamamos: “Isso é de outro mundo”! Então temos inveja do povo que deixa os jornais sós sobre uma caixa na rua, e cada um paga e retira um único jornal.

Mais ou menos como um peixe, que vive normalmente dentro dágua. Para ele tudo é normal e ele nem se dá conta que vive no meio líquido, até que um dia alguém o levanta para fora dágua. Então ele perceberá que a água do oceano é que é o “seu mundo”, e não o mundo do ar.

Quero dizer com isso que o brasileiro É ASSIM, porque “ASSIM É O SEU MUNDO”! É assim que ele nasceu, cresceu e vive em sociedade. Ou seja, É A SUA CULTURA! É uma herança ancestral, unida ao império do meio-ambiente físico e social em que vive.

Com certeza pode sofrer mudanças, mas apenas de cunho natural, promovidas durante um período histórico onde esforços heróicos de educação moral, mudanças climáticas e de interferência externa CONTÍNUA, os brindará, após um período relativamente longo, alguma mudança significativa.
Isto, com toda a certeza, é uma notícia triste para todos os que me lêem, e a primeira reação é a de não aceitar este fato. Porém, peço um pouco mais de paciência e que siga na leitura da “boa notícia” que estou para revelar.

Há muitos anos divulgamos os princípios de Johann Kaspar Bluntschli, diplomata e sociólogo alemão que afirma que CADA POVO (no sentido exclusivo da palavra, tipo “nação” ou “grupo étnico”) DEVE CONSTITUIR O SEU PRÓPRIO PAÍS. O mundo se divide em nações, o planeta Terra deveria dividir-se em países que as correspondam. Tantas nações, tantos países.

Este princípio é aprovado e adotado pela maioria dos países do mundo, dando ensejo à Carta dos Direitos dos Povos expedida pela ONU e assinada por seus países membros, inclusive o Brasil.

A palavra-chave que une o texto de Ubaldo com o Princípio de Bluntschli é CULTURA.

Com toda a razão, a definição mais aceita de “Povo” refere-se à sua particularidade de ter uma cultura própria, um “ethos”, seus costumes, sua tradição, sua história, sua língua, enfim todos os traços próprios, através dos quais é diferenciado de todos os demais do mundo.

Aqui cabe algumas perguntas: Temos todos os brasileiros a mesma cultura? Temos os mesmos costumes? A mesma história? Parece que as respostas são óbvias porque um dos “orgulhos” do brasileiro é a sua DIVERSIDADE CULTURAL, que acostumou-se repetitivamente a chamar de “Riqueza Cultural”!

Portanto, admitindo-se que há vários povos culturalmente distintos dentro deste território, é de se inferir, através do Princípio de Bluntschli, que a cada povo deveria lhe corresponder um ESTADO AUTÔNOMO. E assim são nominados os Estados na Constituição Federal... Porém, só no papel, não NA PRÁTICA!

Neste ponto sei que há muitos leitores que estão na dúvida se estes povo que habitam o Brasil são de fato tão diferentes culturalmente assim um do outro...

Esta dúvida é uma ilusão de ótica. 

Desde 1808, com a vinda da Corte Portuguesa para Salvador e depois para o Rio de Janeiro, há um esforço contínuo para irradiar esta cultura à todos os quadrantes do país. É uma característica nata de um grande império. Este esforço se intensificou ao extremo no Rio Grande após a Guerra dos Farrapos. Esta “imposição” cultural desrespeita as proto-culturas locais, busca anulá-las, diminuí-las, e se possível aniquilá-las.

Porém quando há um povo com raízes culturais mais profundas e definidas, pode-se até perdê-las momentaneamente sob esta enxurrada cultural externa, mas dificilmente elas morrem em definitivo. Ela pode não ser observada com clareza, pode emergir apenas em alguns momentos esporádicos, espremida sob uma “capa” cultural estrangeira. Se é forte, ela sobreviverá, mesmo sob os escombros. Então se olhamos sem profundidade, à lo largo, superficialmente para o povo Gaúcho rio-Grandense, nos parece tão brasileiro como o Carioca ou o Paulista. Nós podemos observar os gaúchos agindo da mesma forma que agem os demais brasileiros, como se fosse da mesma “matéria prima”, aquela que Ubaldo Ribeiro fala.

Graças à Deus, no caso do Gaúcho, não é preciso escarafunchar muito em direção às suas raízes para logo se aperceber que a CULTURA do povo Gaúcho é bastante diferente da cultura brasileira que vemos na mídia. Em momentos específicos, como a Semana Farroupilha, com seus Desfiles de Cavaleiros em praticamente todos as cidades do Rio Grande, ou durante os Festivais de Música Folclórica, a diferença é gritante! Só não vê que QUER FECHAR OS OLHOS.

Ao observarmos com mais acuidade a História do povo Gaúcho e a do Rio Grande, saltam aos olhos A CONFIRMAÇÃO deste fato e os motivos pelos quais somos assim e não “assado”, como os brasileiros.

O que falta, então, para que o povo Gaúcho seja feliz?
Falta sacudir a “poeira” cultural brasileira que pesa sobre seus ombros, assumir a sua identidade Gaúcha que nunca deveria ter sido relegada, e conforme o Princípio dos Direitos dos Povos, enunciado por Bluntschli, assumir as rédeas administrativas e políticas de seu povo!

Sua homogeneidade cultural o levará a buscar O CAMINHO MAIS CORRETO para resolver suas “pendengas” e endireitar-se na senda do progresso e da felicidade que todos almejamos.

Ou seja, precisamos aniquilar os “ranços imperialistas” que persistem e se fortalecem diariamente pela mídia sobre todo o povo brasileiro, e assim re-conquistarmos nosso Direito de “livre-arbítrio”, como povo culturalmente independente que somos.

Quanto aos demais povos do Brasil cabe à cada um buscar em suas raízes, em sua consciência coletiva, a sua própria identidade cultural e assumí-la à exemplo do que faz hoje o Gaúcho. E não será surpresa se o povo Carioca, Mineiro e Bahiano ao re-descobrir sua origem de brasilidade, “venha a melhorar o seu comportamento e não se faça de surdo” e busque, aí sim, mudanças culturais proeminentes capazes de os levarem à melhorar a matéria-prima de seu país, o Brasil.

08 junho 2014

O Separatista

O Separatista
Evento:

Comemoração do Aniversário de 250 Anos 

do Nascimento de Artigas




     
     Trata-se de um evento de RESGATE HISTÓRICO importante para nós: Povo Gaúcho rio-grandense.

     Artigas é reconhecido como o criador da Federalização Argentina, o libertador do povo uruguaio, e agora estamos buscando O RECONHECIMENTO à sua luta na defesa da liberdade e soberania e de todo o povo GAÚCHO PLATINO, do qual nós, aqui no Rio Grande, somos parte integrante.

     Numa época em que os impérios europeus (Portugal e Espanha) lutavam entre si pela hegemonia desta região, desconhecendo que "ESTA TERRA JÁ TINHA DONO", Artigas entendeu que os nativos dos pampas (Ele incluso) é que tinham o legítimo direito de aqui viver, em paz, em comunhão, EM LIBERDADE!

     Sendo ele próprio um gaúcho, levantou sua espada contra os invasores portugueses, e contra os unitaristas argentinos, defendendo este chão sagrado e o povo que nele habitava de forma natural: Índios Charruas, Minuanos, Tapes, Gaúchos, Negros e demais povos oprimidos.

     Criou, assim, com os povos seus protegidos, um novo país chamado LIGA FEDERAL, republicano, federalista, democrático, onde cada povo tinha a liberdade total de viver conforme suas próprias culturas.

     A Liga Federal abarcava os atuais Uruguai, províncias de Corrientes, Santa Fé, Entre Rios e Córdoba na Argentina e ainda boa parte do Rio Grande (Só não todo, porque os Portugueses já haviam iniciado sua terrível invasão, vindos do Norte pelo litoral).

     Este belo país, de enorme potencial de desenvolvimento pacífico e ordeiro, foi derrotado em 1820 pela terrível superioridade das armas portuguesas.

     Porém seu legado, sua imagem, seu ideal, impresso a ferro e fogo na mais profunda história da nossa alma castelhana e imortal, para sempre irá relembrar a saga heróica de JOSÉ GERVÁSIO ARTIGAS, O PROTETOR DOS POVOS LIVRES.

     Neste dia 19 de Junho, temos todos os gaúchos, CONSCIENTES DESTES FATOS, um dever cívico de rememorar os grandes feitos e os transcendentes ideais de Artigas, justamente nos 250 anos de seu nascimento.



TU, GAÚCHO DO RIO GRANDE, ESTÁS CONVIDADO!



21 maio 2014

REVOLUÇÃO FARROUPILHA OU GUERRA DOS FARRAPOS?
                                                         Romualdo Negreiros



Tenho percebido em muitos textos de revistas, jornais e principalmente nos meios virtuais, que tratam sobre a Guerra dos Farrapos, uma notória confusão!
Desde aquela época os meios de comunicação, a escola (através dos livros escolares), a leitura de livros considerados “referência”, popularizam este mascaramento, ou acobertamento, da verdade histórica.
Além de “Revolução Farroupilha”, chamam de “Guerra dos Farrapos”, “Revolta Republicana”, “Guerra de 35”, “Década Farroupilha”, “Guerra de 1835 a 1845” e outras referências, generalizando tudo e colocando os acontecimentos daquela década no Rio Grande, dentro de uma grande “pasta” chamada “Revoltas Brasileiras”.
Precisamos deixar claro que essa “confusão” foi deliberadamente plantada pela historiografia oficialista em colunas de jornais, em revistas e livros editados desde então, para que as gerações posteriores, não pudessem chegar à conclusão da sua relevância histórica.
A conclusão óbvia da leitura clara e verídica do acontecido naqueles idos tempos, deporia contra o poder estabelecido a partir de então, e por si só promoveria a revolta popular capaz de culminar em uma nova Guerra. Por causa disso José Domingos de Almeida foi tão perseguido, caluniado, censurado violentamente na publicação de um livro que recuperaria os fatos reais, e terminou sua vida completamente só, pobre e doente.
Mesmo estando nós ainda sob domínio do mesmo império (Hoje disfarçado de República), e sujeito às mesmas retaliações sofridas pelos então Farrapos, não posso me calar e deixar em estabelecida pantomima meus caríssimos compatriotas e companheiros de luta.
Reinterpretando os fatos, agora a partir do nosso ponto de vista (O ponto de vista do próprio gaúcho), vamos procurar colocar as coisas nos seus lugares e desmistificar a maioria dos conceitos errôneos que campeiam pelos meios de comunicação e pelas redes sociais.
Tudo o que aqui for exposto pode ser, e será, comprovado tecnicamente em um livro que está sendo elaborado. Porém fica aqui, apenas como prévia, os resultados dos estudos.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA
Farroupilhas eram todos aqueles que se insurgiam contra o domínio português no Brasil.
Mesmo depois de Proclamada a Independência (O Brasil continuava um Império!), os cargos mais importantes e dominantes da sociedade brasileira eram ocupados por Portugueses ou descendentes dos mesmos. Portanto “Farroupilhas” existiam em todo o território brasileiro, na Bahia, no Rio de Janeiro, em Pernambuco, e até aqui na Província de São Pedro. Portanto a revolta que começou em 20 de Setembro foi reconhecida pelo Brasil como uma Revolta Farroupilha. Sabemos, no entanto, que a tal revolta só aconteceu no Rio Grande porque havia uma conjunção de outros fatores, que movimentavam outros interesses, e que juntos, capitaneados por Bento Gonçalves, já reconhecido como grande Coronel, formou todo aquele corpo revoltoso.
Portanto, amigos, a Revolução Farroupilha e o 20 de Setembro não têm muito a ver com a nossa luta atual! Interessa apenas ao Brasil!
Bento Gonçalves, embora simpático às idéias independentistas da época e até mesmo à uma conjunção com o Uruguai, naquele 20 de Setembro armara-se e movimentara-se apenas com o intuito de depor o então Presidente da Província, Fernandes Braga, e abafar os focos de resistência que, com certeza, haveriam pelo interior. O que foi conseguido após um mês, somente:
No dia 23 de Outubro de 1835, o Coronel proclama: “A nobre empresa que encetamos há trinta dias já se acabou incruenta e pura. Todos os municípios da Província já têm reconhecido a autoridade legal do Exmo Sr. Vice-Presidente e em vão os livres procuram facciosos; estes desapareceram.”
Fim de papo. Terminou aqui a tão badalada “Revolução Farroupilha”... Esqueçam este nome, por favor!

GUERRA DOS FARRAPOS
Houveram consequências daquela “revolta”? Sim, houveram, e muitas... Mas não vamos entrar aqui em detalhes, pois não é nosso objetivo agora.
O fato é que, após quase um ano, a situação estava indecisa, o Império encetou furiosa perseguição aos revoltosos, e por fim, em 11 de Setembro de 1836, o Gen. Netto, por diversas questões que deixaremos para o livro, acabou por PROCLAMAR A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE!
Ora, o Brasil ainda era um Império. E como uma República não pode fazer parte de um Império, equivalia à proclamação de nossa INDEPENDÊNCIA! Afinal, o separatismo era uma das mais fortes correntes que compunha as forças iniciais de Bento Gonçalves, inclusive com sua adesão.
A partir deste momento, todos os confrontos, todos os atos dos Farrapos, mudaram de nome.
Agora os antes revoltosos eram chamados “SOLDADOS REPUBLICANOS”. O Rio Grande não era mais uma Província, mas um “ESTADO REPUBLICANO INDEPENDENTE”. Ao invés de Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, agora era a “REPÚBLICA RIO-GRANDENSE”, um país independente! E a “Revolução farroupilha”, agora é a GUERRA DOS FARRAPOS!
Em 11 de Setembro de 1836, começa a luta pela MANUTENÇÃO da nossa independência, e os exércitos imperiais brasileiros, agora são “invasores”, “agressores”, “inimigos”! Pois não reconhecem a independência deste território.

A CONFUSÃO
A confusão estabelecida propositalmente pelos historiadores brasileiros, é de ACEITAR a versão brasileira de que a Proclamação da República não aconteceu, e que tudo não passou de uma revolta localizada, como as demais em outros pontos do território brasileiro. Não aceitam nem mesmo a existência de separatistas entre as forças de Bento, e propagam a idéia de que os farrapos lutaram exclusivamente para a implementação de uma República Brasileira... O que é hilário!
Peço, portanto, encarecidamente, que pelo menos meus amigos, compatriotas, companheiros de luta, enfim todos os que de verdade amam este chão, nossa cultura gaúcha e nossa mais cara história, E AMAM A VERDADE, não cometam mais esta gafe.